Que os meus pés sangrem
por caminharem,
mas que nunca se alegrem por ficarem parados.
Que eles sejam o que a minha alma já não pode ser
depois de tanto caminho percorrer
e não mais ao meu corpo pertencer.
Quando conheceu o seu corpo,
minh’alma se fez criança, frágil,
e quis ganhar o mundo.
Ganhou seu mundo,
e o trouxe para dentro de mim.
E te fez caber em minha carne,
compartilhar do meu desejo,
da minha cama,
e agora a minha alma renuncia ao direito de ser eu,
porque você lhe ensinou a ser nós.
Agora as minhas pernas se dobram
de cansaço do não vivido,
e a minha alma se desfaz em mil abraços não dados.
O que eu sinto me sente, te sente,
se faz urgente,
quente,
grávido do não existir.
O que faz com que as acorrentadas sensações
que se alojaram na ponta da língua que não alcança o corpo
pulsem, gritem por você.
Fique.
Fique dentro de mim.
Se sair, meu corpo não mais se reconhecerá.
Não se aceitará.
Não se entregará.
Escute.
Se não ouvir, as palavras vão se calar.
O desejo adormecerá,
A água secará.
Sinta.
Sinta as contrações desse amor
que partiu sem sair e chegou sem andar.
Nasça.
Nasça do caos que eu sou,
e seja a (des)ordem que virei a ser.
Seja o que me move e te explode
para fora de si e, assim, saia eternamente para dentro de mim.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
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1 comentários:
:'(
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